EM ALTA
Sporting deve mudar de escudo após 25 anosUm Pingo com muita Saudade: 88 anos da ‘Batalha de Bordeaux’Fifa força o Haiti a trocar uniformes da Copa do MundoAs camisas mais bonitas da Copa do Mundo de 2026Aquela camisa feia dos anos 90 era genialMessi vai à Copa do Mundo para o seu último tango com chuteira que homenageia seus 20 anos no torneioRoma terá camisa especial para comemorar seu centenário3 de junho: um dia especial para a Seleção BrasileiraSporting deve mudar de escudo após 25 anosUm Pingo com muita Saudade: 88 anos da ‘Batalha de Bordeaux’Fifa força o Haiti a trocar uniformes da Copa do MundoAs camisas mais bonitas da Copa do Mundo de 2026Aquela camisa feia dos anos 90 era genialMessi vai à Copa do Mundo para o seu último tango com chuteira que homenageia seus 20 anos no torneioRoma terá camisa especial para comemorar seu centenário3 de junho: um dia especial para a Seleção Brasileira
Newsletter

Aquela camisa feia dos anos 90 era genial

A década de 90 produziu os uniformes mais absurdos da história do futebol. E foi exatamente por isso que foram os melhores.

Tem uma coisa que ninguém fala em voz alta no mundo da moda esportiva: o uniforme mais icônico que você já viu provavelmente era objetivamente feio. E não feio no sentido de “ah, é polêmico” — feio mesmo. Estampa que parecia pixel art quebrado, paleta de cor que combinava laranja queimado com roxo neón, tecido com caimento de saco de batata. E mesmo assim você olha pra aquela camisa hoje e sente alguma coisa.

Não é nostalgia brega. É reconhecimento. Você estava vendo personalidade — e a moda atual tirou isso do futebol sem pedir licença.

Nos anos 90, as equipes de design das marcas esportivas pareciam ter recebido uma única instrução: “faz alguma coisa aí.” O resultado foi uma era de anarquia criativa que a gente hoje chama, com certa ironia carinhosa, de “a fase das estampas”.

Primeiro exemplo: camisa do Arsenal. 1991. Apelido de ‘Bruised Banana’.Meu Deus!

A Croácia, em 1994, com o xadrez que parecia ter saído de um jogo de damas turbinado.

Como foi em 1998? Croácia conquistou terceiro lugar com Suker artilheiro e  vitória sobre Holanda | Ge

O Man. United de 95-96 com uma das terceiras camisas mais TENEBROSAS já vistas!

1995-96 Manchester United Away Shirt - 8/10 - (Y)

Essas camisas não tentavam agradar todo mundo. Elas não passavam por comitê de aprovação com oito departamentos e três consultorias de branding. Elas simplesmente existiam — às vezes horrorosas, às vezes geniais, sempre com um ponto de vista.

O minimalismo que dominou os uniformes nos anos 2010 e que ainda reina hoje tem uma lógica comercial impecável: camisa clean é mais fácil de vender pra qualquer perfil de consumidor, combina com qualquer roupa, não envelhece mal nas fotos.

É um produto eficiente.

Mas eficiência e identidade são coisas diferentes, e o futebol foi trocando uma pela outra sem perceber. Quando você vê um uniforme “contemporâneo” genérico, você precisa checar o escudo. A identidade foi terceirizada.

Outro exemplo, olha essa camisa INACREDITÁVEL da Inter de 1997. Sim. Essa é a mesma temporada que tivemos a lendária camisa home com ‘umbro’ em dourado, listrada, centralizada (em sequência).

Camisa Inter de Milão Retrô Reserva Away II 96/97 Torcedor

O movimento recente de revisitar aquelas estéticas — a Adidas relançando silhuetas retrô, a Nike ressuscitando o Total 90, os kits “heritage” que pipocam todo começo de temporada — prova que o mercado sabe muito bem o que perdeu.

Mas tem uma pegadinha aí: reproduzir a estética dos anos 90 em 2025 é nostalgia. O que fazia aquelas camisas funcionarem era que elas eram originais dentro do próprio tempo. Elas não tinham referência anterior pra seguir.

O que o design de uniformes precisa não é de um revival — é de uma coragem nova. A disposição de lançar algo que vai dividir opiniões, que vai parecer feio pra metade das pessoas, que vai ser discutido. Porque discussão significa que a camisa tem identidade suficiente pra provocar alguma coisa.

Camisa que ninguém odeia é camisa que ninguém lembra.

#anos 90 #camisa de time #opinião
Compartilhar
X/Twitter WhatsApp
Cristian Bessone
Jornalista em formação pela Unesp Bauru. Amante de comunicação, desporto, culinária, moda e DE MUITA conversa. Contacto: cris.vestiario@gmail.com | Instagram: @crisbessone
Leia também
🇧🇷 @ovestiariobr 🇬🇧 @ovestiarioen 🇵🇹 @ovestiariopt 🇪🇸 @ovestiarioes