Os anos 90 produziram os equipamentos mais absurdos da história do futebol. E foi exactamente por isso que foram os melhores.
Há algo que ninguém diz em voz alta no mundo da moda desportiva: o equipamento mais icónico que já viste era provavelmente, de forma objectiva, feio. Não feio no sentido de “ah, é polémico” — mesmo feio. Estampados que pareciam pixel art avariada, uma paleta que combinava laranja queimado com roxo néon, um tecido que caía como um saco de batatas. E mesmo assim olhas para essa camisola hoje e sentes qualquer coisa.
Não é nostalgia piegas. É reconhecimento. Estavas a ver personalidade — e a moda actual tirou isso ao futebol sem pedir licença.
Nos anos 90, as equipas de design das marcas desportivas pareciam ter recebido uma única instrução: “faz lá alguma coisa.” O resultado foi uma era de anarquia criativa que hoje chamamos, com uma certa ironia carinhosa, “a fase dos estampados.”
Primeiro exemplo: a camisola do Arsenal. 1991. Apelidada de ‘Bruised Banana’. Meu Deus!

A Croácia, em 1994, com o xadrez que parecia ter saído de um jogo de damas turbinado.
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O Man United de 95–96 com uma das terceiras camisolas mais TENEBROSAS alguma vez vistas.

Estas camisolas não tentavam agradar a toda a gente. Não passavam por um comité de aprovação com oito departamentos e três consultoras de branding. Simplesmente existiam — por vezes horrorosas, por vezes geniais, sempre com um ponto de vista.
O minimalismo que dominou os equipamentos nos anos 2010 e que ainda reina hoje tem uma lógica comercial impecável: uma camisola limpa é mais fácil de vender a qualquer perfil de consumidor, combina com qualquer roupa, não envelhece mal nas fotografias.
É um produto eficiente.
Mas eficiência e identidade são coisas diferentes, e o futebol foi trocando uma pela outra sem dar conta. Quando vês um equipamento genérico “contemporâneo”, tens de verificar o escudo. A identidade foi terceirizada.
Outro exemplo — olha para esta camisola INACREDITÁVEL do Inter de 1997. Sim. A mesma temporada em que tivemos a lendária camisola principal: Umbro a dourado, às riscas, centrado.

O movimento recente de revisitar essas estéticas — a Adidas a relançar silhuetas retro, a Nike a ressuscitar o Total 90, os equipamentos heritage que surgem no início de cada temporada — prova que o mercado sabe muito bem o que perdeu.
Mas há um senão: reproduzir a estética dos anos 90 em 2025 é nostalgia. O que fazia funcionar aquelas camisolas era serem originais dentro do seu próprio tempo. Não tinham referência anterior a seguir.
O que o design de equipamentos precisa não é de um revival — é de uma coragem nova. A disposição para lançar algo que vai dividir opiniões, que vai parecer feio a metade das pessoas, que vai ser discutido. Porque discussão significa que a camisola tem identidade suficiente para provocar alguma coisa.
Camisola que ninguém odeia é camisola que ninguém recorda.


