Muito provavelmente ninguém daqui era nascido, muito menos eu, mas hoje é dia de falar da Batalha de Bordeaux, em 193. No Pingo de Saudade de hoje, vamos voltar (e muito) no tempo para falar sobre a seleção brasileira em Copas do Mundo
No terceiro Mundial da história, o Brasil estreou vencendo a Polônia num 6 a 5 insano e foi colocado frente a frente com a Tchecoslováquia nas quartas. E foi aí que o bicho pegou para a Canarinho…
Comandada por Leônidas da Silva, a seleção brasileira fez um dos jogos mais violentos da época. Este jogo entrou para a história das Copas por ser a primeira partida a ter tido 3 expulsões na história desta competição, algo que só seria batido 68 anos mais tarde, na copa de 2006 (Portugal 1 x 0 Holanda).
O primeiro confronto terminou em 1 a 1, repleto de polêmicas. O Jornal dos Sports acusou os europeus de se excederem na violência, dizendo que “com outro árbitro sairíamos com a vitória”. O Brasil atuou com 9 homens a maior parte do jogo e teve desfalques para o confronto de desempate, marcado para 48 horas depois.
Para se ter uma noção, o goleiro eslavo František Plánička havia jogado mais de meia hora com a clavícula deslocada após um choque com Perácio e o artilheiro Oldřich Nejedlý tinha fraturado o pé direito. Do lado brasileiro, Perácio saiu arrebentado e Leônidas, que tanto apanhou, não tinha condições de jogo.
Naquele dia 12 de junho de 1938 o Brasil foi a campo vestindo o uniforme branco, que era o principal naquela altura, até o surgimento da camisa amarela, só em 1954. A camisa com gola é uma das mais raras hoje em dia, e sequer tinha o brasão da CBD, órgão equivalente à CBF na altura.
A campanha levou o Brasil pela primeira vez a uma semifinal de Copa do Mundo, mas a seleção acabou derrotada pela Itália por 2 a 1. Sem Leônidas, lesionado e fora da partida em uma decisão polêmica, o Brasil ficou com a disputa do terceiro lugar e venceu a Suécia por 4 a 2. Assim, encerrou o Mundial de 1938 com sua melhor campanha até então, marcando 14 gols, sendo sete deles de Leônidas.



