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Separar adidas e Seleção Alemã é como distanciar o ovo da galinha

O que veio primeiro?

Em 1954, Adi Dassler entrou em campo antes mesmo dos jogadores.

O fundador da Adidas convenceu os alemães a calçarem suas chuteiras com travas rosqueáveis num gramado enlameado na Suíça… e a Alemanha Ocidental venceu a Copa do Mundo.

Neste momento, Dassler ajudava a construir uma identidade nacional que ainda estava se recompondo do pós-guerra.

Desde então, tornou-se impossível responder com precisão: foi a Adidas que cresceu com a Alemanha, ou foi a Alemanha que venceu com a Adidas?

Sete décadas de DNA compartilhado

Por mais de 70 anos, as três listras estiveram em cada título, cada derrota e cada geração de ídolos alemães. Beckenbauer, Neuer, Müller, Klinsmann, Kahn, Klose – todos vestiram a marca.

A Adidas não era fornecedora da seleção alemã da mesma forma que qualquer outra marca veste qualquer outro time. Era parte do imaginário nacional, tão reconhecível quanto o preto, o vermelho e o dourado da bandeira.

O carrasco tem nome: dinheiro

A ‘traição’ veio com justificativas (financeiras). A Nike ofereceu €100 milhões por ano, o dobro do que a Adidas pagava.

A Federação Alemã de Futebol (DFB) aceitou, justificou com critérios técnicos e financeiros, e encerrou 73 anos de história com a frieza de um comunicado corporativo.

É difícil condenar a decisão em termos racionais: federações têm obrigações, o futebol de base precisa de investimento, e dinheiro é dinheiro. Mas é igualmente difícil não sentir que algo genuíno foi vendido, não pela Adidas, mas pela própria Alemanha.

O ovo e a galinha, agora separados

Não existe resposta clara sobre quem dependia mais de quem. E é exatamente essa ambiguidade que torna a separação tão perturbadora.

A Nike é uma marca poderosa, globalizada, competente. Mas ela não esteve lá em 1954. Não pisou naquele gramado enlameado. Não dividiu uma identidade nacional num momento de reconstrução. A partir de 2027, a camisa alemã será financeiramente lucrativa e, claro, de boa qualidade.

Mas algo intangível, construído ao longo de décadas, ficará para trás – e esse tipo de coisa não se reconquista com nenhum contrato.

#alemanha #newsletter
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Cristian Bessone
Jornalista em formação pela Unesp Bauru. Amante de comunicação, desporto, culinária, moda e DE MUITA conversa. Contacto: cris.vestiario@gmail.com | Instagram: @crisbessone
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