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Um Toque de Saudade

Um Toque com muita Saudade: 88 anos da ‘Batalha de Bordéus’

Getty

Muito provavelmente ninguém por aqui era nascido nessa altura, muito menos eu, mas hoje é dia de falar da Batalha de Bordéus, em 1938. No Pingo de Saudade de hoje, vamos recuar (e muito) no tempo para recordar a seleção brasileira nos Campeonatos do Mundo.

No terceiro Mundial da história, o Brasil estreou-se com uma vitória absolutamente louca por 6-5 frente à Polónia e encontrou a Checoslováquia nos quartos de final. E foi aí que as coisas aqueceram para a Canarinha…

Comandada por Leônidas da Silva, a seleção brasileira participou num dos jogos mais violentos da época. A partida entrou para a história dos Mundiais por ter sido a primeira a registar três expulsões, um recorde que só seria ultrapassado 68 anos mais tarde, no Mundial de 2006 (Portugal 1-0 Países Baixos).

O primeiro encontro terminou empatado 1-1 e ficou marcado por inúmeras polémicas. O Jornal dos Sports acusou os europeus de excesso de violência, afirmando que “com outro árbitro teríamos saído vencedores”. O Brasil jogou grande parte do encontro com apenas nove jogadores e sofreu baixas importantes para o jogo de desempate, marcado para apenas 48 horas depois.

Para se ter uma ideia, o guarda-redes checoslovaco František Plánička jogou mais de meia hora com a clavícula deslocada após um choque com Perácio, enquanto o goleador Oldřich Nejedlý fraturou o pé direito. Do lado brasileiro, Perácio ficou bastante maltratado e Leônidas, depois de sofrer inúmeras entradas duras, não estava em condições de jogar.

Naquele dia 12 de junho de 1938, o Brasil entrou em campo com o equipamento branco, que era o principal nessa altura. A famosa camisola amarela só surgiria em 1954. Essa camisola com colarinho é hoje uma das mais raras da história do futebol brasileiro e nem sequer apresentava o emblema da CBD, organismo equivalente à atual CBF.

A campanha levou o Brasil pela primeira vez a uma meia-final de um Campeonato do Mundo, mas a equipa acabaria derrotada pela Itália por 2-1. Sem Leônidas, lesionado e ausente numa decisão muito contestada, o Brasil disputou o jogo de atribuição do terceiro lugar e venceu a Suécia por 4-2. Assim, terminou o Mundial de 1938 com a sua melhor campanha até então, marcando 14 golos, sete deles apontados por Leônidas.

#copa do mundo
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João Vitor Segura
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